segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

TAG: Alguns dos meus canais favoritos do youtube!

Ultimamente, tenho gastado grande parte do meu tempo no youtube e, por isso, senti vontade de escrever essa listinha aqui no blog (será que consigo escrever algo leve dessa vez, só pra variar?).  A listinha está em ordem decrescente, ou seja, o último canal é o meu favorito. Acho que ela revela bastante sobre mim.

Desfrute! 

Lully de verdade
O canal da Lully é um dos canais de cinema que acompanho. Gosto muito do conteúdo que ela faz, porque sou uma fã do mundo dos filmes, mas sou muito leiga. O olhar da Lully trás bastante a tona as questões mais técnicas, sem, é claro, perder a sensibilidade e crítica. Aprendo sempre sempre sempre mais com a experiência dela sobre esse mundo!

Dubladiando 
Eu sou uma das 00000,1 pessoas do mundo que gosta bastante de produções dubladas. Na verdade, eu gosto muito do trabalho de dublagem, de todo o processo de imersão e empenho desses profissionais em adaptar obras de outras culturas para as nossas, além de ser muito apegadas as vozes brasileiras dos personagens que fizeram parte da minha história. Um dos canais de dublagem que acompanho é o canal do Charles Emmanuel, que me inserem nesse mundo. Assim como é com o Lully, o do Charles me faz crescer muito. Ele dublou o Rony Weasley, o Ben 10, o Bolin, entre outros personagens que eu amooo!!

Bunka Pop!
É um dos canais de anime que eu acompanho! São três apresentadores: o Guto, que grava sozinho e a Mo e o Jack, que gravam juntos. Eles são um time perfeito, porque o Guto tem uma pegada mais séria e crítica, enquanto a Mo e o Jack são mais brincalhões. O que eu mais gosto no canal é o formato que eles gravam, sempre listando coisas. Adoro os cosplays que eles fazem (a Mo e o Jack), e admiro a super habilidade que a Mo tem em falar nomes de animes super difíceis em japonês.

Blablálogia
É um dos canais de educação que acompanho. Acho que tem uma das maiores sacadas de todos os tempos com relação à educação. Não é um canal solo, ou com poucos parceiros. É formado por um grupão de profissionais, bons profissionais, que se interessam em fazer ciência e compartilhar ciência de uma maneira gostosa e eficaz. Tem gente tipo o Pirula, a Tati Leite, o Slow, a Ju matemaníaca, entre outros. É incrível, porque são vídeos leves, curtos, que carregam conceitos científicos e são acessíveis gratuitamente pra toda galera. É um canal relativamente recente. O meu quadro favorito é o quadro de discussão, "Café com que...". Também curto bastante o quadro de inglês e os de geografia!

Maicon Kuster
O primeiro vídeo que vi foi sobre ateísmo, no facebook, e nunca ri tanto na minha vida inteira. Ele tem uma pegada melancólica, e acho ela cativante. Ele é espontâneo e autêntico, não mede o que fala e faz comédia com temas polêmicos. Comédia no sense. E não tem como não consumir. Gosto especialmente dele porque ele faz com que a realidade que vive, nada boa do seu ponto de vista, seja piada. Ele me inspira!

Marieli Mallmann
Marieli foi uma surpresa. Eu via alguns vídeos avulsos dela antes de ser inscrita, mas não botava muita fé. Na real, achava os temas dela meio distantes de mim, do meu gosto pessoal (minimalismo, desenvolvimento sustentável, proteção aos animais, moda). Qual foi a minha surpresa ao dar uma chance para ela e para o conteúdo dela! Descobri uma pessoa extremamente autêntica e verdadeira, com muita coisa a ser compartilhada (não só quanto ao estilo de vida que levava, mas também a respeito da sua história e experiências), além de ter tido muitas reflexões que me desconstruíram e me fizeram olhar as coisas de maneiras diferentes. Indico! 

Patrícia dos Reis
Quem nunca ouviu falar da Pathy né? Mas ela não está nessa lista porque é famosa... desde que ela saiu do galo frito, ela tem me surpreendido a cada dia com o seu canal solo. Ela trás temas que tocam em pontos interessantíssimos e, muitas vezes, até delicados para mim. E eu acho que ela faz com muita simplicidade, autenticidade e verdade. Sei lá, ela é diferente dos youtubers antigos. Eu pude ver seu crescimento em maturidade com o passar dos anos, com muita humildade. Ela me faz sentir próxima e em casa. O que mais gosto nela é o quanto ela não tem medo de se expor, errar, voltar atrás. 

Muro Pequeno
Esse canal é um dos canais de minorias que eu acompanho. O Murilo partilha um pouquinho com a internet a respeito da vivência dele de LGBT e de negro. Ele trás sempre temáticas muito importantes a serem debatidas de uma perspectiva que, muitas vezes, eu não enxerguei. Ele tem uma excelente didática e seus argumentos são muito bem estruturados - mesmo que eu discorde as vezes, vejo que é muito fácil entender o que ele quer passar, qualquer um pode entender. O que eu mais gosto nele é o fato de ele se considerar cristão católico, e me fazer sentir um pouco menos E.T. dentro das minhas perspectivas. Ele é muito amor! Vale muito a pena conhecer o canal dele!

Leo Viturinno
Outro canal de minorias! - haha, vocês já viram que eu amo né? O Léo é um dos youtubers surdos que eu acompanho. É um dos meus canais favoritos dessa minoria, porque ele é muuuuuito divertido. Ele me ajuda demais a conhecer a cultura surda, treinar os sinais de libras, me desconstruir a respeito de conceitos que construí ao longo da vida que não são tão bacanas assim... Algo que eu gosto muito nesse canal é que, em alguns vídeos, o Léo faz uma parte extra no final, compartilhando com a gente que é ouvinte alguns significados de sinais novos que usou no vídeo. Também gosto muito da preocupação dele em colocar legendas pra que nós, ouvintes, possamos acompanhar todo o conteúdo dele, integralmente (infelizmente, nem todo youtuber coloca legenda em português em seus canais para que os surdos acompanhem...). Ah! E o que eu mais admiro no Léo é a fluência dele em libras (nem todo surdo é tão bom, nem todo surdo aprendeu libras desde sempre..). Tem hora que ele fala tão rápido que eu me policio pra não piscar! 

Tá querida
Esse canal é um canal INCRÍVEL de empoderamento que eu conheci nesses últimos tempos. Nossa relação de amor é muito recente, mas eu devo confessar que fico triste de não ter esbarrado com ele no youtube antes! A Lu também é parte de minorias: é mulher gorda, tipo euzinha  Me sinto representada! Meu vídeo favorito do canal dela é o Tour que ela fez pelo próprio corpo, eu chorei rioooooos assistindo. Gosto do fato de ela ser feminista, daquelas bem didáticas e fofas, que faz a gente entender real as perspectivas mais gerais do movimento e, principalmente, da pureza dela.... ah, ela é tão pura! Me lembra uma criança, as vezes. Eu também gosto do cabelo colorido dela, sempre mudando...!

Fred Elboni
Esse aqui é mais conhecido como crush real oficial de todas as mulheres heterossexuais deste planeta, rs. Ele é escritor, pisciano, daqueles super sensíveis que enxergam cada detalhe. Ele manja das conquistas e, nos vídeos dele, muitas vezes as palavras flutuam pelo ar (mais ou menos como é pra mim mesma quando eu estou cantando). Discordo bastante das opiniões que dá, devo dizer, e acho que nunca conseguiria me relacionar com ele, se convivêssemos (tipo, qualquer tipo de relação). Mas ele me constrói muito (está sempre palpitando em assuntos tabu) e eu tenho prazer em ver os vídeos dele, sempre me tiram um sorriso ou dois. 

Em família e Santa Missa Jovem
Ah, esses dois canais! São meus amorezinhos! São de música cristã-católica e, vira e mexe estou lá lavando louça com eles rolando soltos... o primeiro é um canal de duas irmãs cantoras, aqui da minha cidade. Elas são autênticas e muito cativantes, eu gosto especialmente da voz de cada uma. A Mariana, do cabelo enrolado e do violão, faz aniversário no mesmo dia que eu!!! ♡ O outro canal é de um casal... é o canal que eu recorro para aprender algumas músicas LOUCAS que e eu e as meninas do Ministério Ruah inventamos de cantar nas missas... Desde que os descobri, sou apaixonada por eles e pelo serviço deles.. poucos canais do youtube tem essa pegada de músicas para missa jovem!

Isra 
Ai, meus nenéns começaram... Isra é um dos vloguers protestantes que eu acompanho (uhummm!). Eles constroem demaaaaais a minha vida de oração e intimidade com Deus. O Isra é novinho, tem mais ou menos a minha idade e mora no estados unidos com a esposa dele, a Pri. Eles dois são missionários e vivem da providência de Deus. Eles eram melhores amigos de infância, aquele amorzinho mais que especial ♡ Atualmente, estão estudando numa faculdade cristã. As pregadinhas do Isra de segunda de manhã são sempre um tiro certeiro no meu coração. Um vídeo deles que mudou a minha vida foi o de obediência aos pais. 

Cellbit
Não há nesse mundo youtubistico, de maneira alguma, um ser mais genial e inteligente que Cellbinho haha Ele realmente já foi meu crush da vida, é sério. Eu não acompanhava ele na época dos games e tudo mais, e então o conteúdo dele começou a mudar. Os enigmas me conquistaram profundamente, me entretendo por horas a fio. Desafios que eu não conseguia cumprir, o Cellbit conseguia. Vale muito a pena conhecer, é um canal que me tirou da zona de conforto. 

Luba TV
O canal do Luba é um canal que não desperta tantos picos de empolgação da minha parte para assistir, mas tem algo que eu acho muito difícil de encontrar: ele é constante. Eu não consigo não assistir um vídeo do Luba. Mesmo sem expectativas, ele sempre me faz sorrir. Gosto muito do coração do Luba, sinto que ele é daquele tipo de pessoa que não joga papel no chão sabe? kkk daquele tipo realmente do bem. Gosto especialmente das Colabs que ele faz. 

Tipo Assim
O canal tipo assim é um dos canais que mais me fazem rir da atualidade. Sério. E eu conheci ele extremamente por acaso (me inscrevi achando que era um canal e, na verdade, era esse canal). O youtuber que conduz a parada é o Franklin, e ele só faz palhaçada. Ele é protestante, mas é "desgarrado das igrejas". Ele comenta tretas do "mundo gospel" na brincadeira, faz ótimas paródias e ainda faz esquetes. O que eu mais gosto no Franklin é que ele é realmente talentoso e isso não tira o humor e a humildade dele de forma alguma. Eu também gosto muito de como ele se utiliza de muitas linguagens dentro do canal dele. 

Coisas que nunca vivi (ou evitava viver)
Ahh, esse é um daqueles canais que realmente me quebram no meio - na verdade, daqui pra frente foi extremamente difícil hierarquizar os canais. Assim como o canal do Cellbit, o canal do Tavião é um canal que me incita a sair da minha zona de conforto. Acho a proposta dele incrivelmente boa e sempre fico me perguntando como alguém não fez nada parecido antes. Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? É um canal profundo e sensível, com uma das pessoas que eu mais admiro na contemporaneidade, dentro do youtube. Diversos vídeos dele foram realmente divisores de água na minha vida, cito aqui o do dia dos pais, o da raiva e o primeiro vídeo que foi ao ar, o da cama de solteiro. Em todos esses eu não me contive e chorei de soluçar. E todos os outros que vi, sem exceção, foram excelentes. 

Farfalha e Manoela Duarte
A surpresa do meu ano no youtube foi o Gabriel, vulgo farfalha. Eu acompanhava a Manu há algum tempo, mas não curtia tanto assim o conteúdo dela (acompanhava mais por causa do Felipe Neto, porque eles tinham trabalhado juntos por um tempo). Só que, de uns tempos pra cá, o conteúdo dela começou a mudar, ficou mais interessante e mais maduro.. por que? Então ela informou a galera que tinha começado a namorar! Que homem esse namorado, o tal Gabriel, que homem HAHAHA Eu não dava nada por ele quando comecei a seguí-lo... qual foi a minha surpresa em descobrir que TODOS os vídeos dele eram extremamente impactantes pra mim... ele tem muito pra falar e ele fala muito bem (ele é advogado, risos). Também tem vários vídeos engraçados (senti uma esperança na humanidade sabe?), culinária, daily vlog, debates, reacts. Não perco um vídeo. O que mais eu indico é um vídeo que ele fez sobre as cachorras dele, numa analogia com seres humanos. 

Ilha de barbados
Gente, esse canal é SENSACIONAL. Outro que eu não dava absolutamente NADA. Cauê Moura, PC Siqueira e Rafinha Bastos... como podia sair algo bom dali? Como eu estava enganada, melhor trio! Em vídeos de conselhos, só sai merda... eu assisto até com fone, e me MATO de rir. É extremamente relaxante, nem vejo o tempo passar. Já em vídeo de debates, eu fico de cara com as reflexões que tiro, levo sempre alguma coisa pra debaixo do chuveiro, ou pra hora de dormir... o último que eu vi foi o vídeo de preconceito x opinião. Sensacional, recomendo demaaais. 

Roberta Vicente
AAAA, como a Beta tá em quarto???? Ela é o amor da minha vida! Tantas coisas eu tirei das partilhas dela dentro do canal... ela é uma mega youtuber cristã, muito iluminada! Ela tem um blog também! Ela é muito instrumento de Deus na minha vida, porque sempre que estou com algo me incomodando em meu coração, um vídeo dela vem e me ajuda a discernir.. a Beta tira o concreto do simples, me mostra que, realmente, uma vida de oração e intimidade com Deus emana no público quando vivida com intensidade no secreto... "Quando tiver algum questionamento, não pergunte a Deus a resposta, busque conhecê-lo que a resposta se materializará" 

Laura Souguellis
Meu, essa molier maravilhosa tem tipo muuuito poucos vídeos no canal dela. Mas, os poucos que tem, são arrasadores!!! Ela também é cristã, e o que mais me toca é que ela é que o ministério dela é, primeiramente, o ministério da música (vulgo meu ministério). Os vídeos que ela tem são contando um pouco de como é que foi todo o processo de composição das músicas dela, como elas brotaram no seu coração... Ouvir essas partilhas pra mim foi um divisor de águas, porque me mostrou o quanto a música atua diretamente no coração das pessoas e o quanto o ministro de música é em quem primeiro a música infiltra, pra depois irradiar. Eu também gosto muito dela porque a experiência de dor na sexualidade e afetividade dela tocam muito na minha realidade. Um dos meus vídeos favoritos é o que ela fala sobre o amor de deus, que enche tudo, e também o que ela fala do porque fomos criados - somos filhos de Deus, afinal. Ela é estrangeira, então o sotaque pode incomodar um pouco, mas é bem pouco. O conteúdo vale muito a pena!

Jout Jout prazer
Esse canal conseguiu unir dois fatos muito dificeis de se unirem em mim por um tempo grande: 1- Expectativas sempre grandes, vontade de ver sempre mais e mais e 2- Constância, nunca parece se tornar enjoativo. A Jout Jout é uma grande referência para mim. Eu gosto muito do humor dela e também das opiniões que ela compartilha. Ela transforma o tabu em algo simples e tira grandes lições do cotidiano que eu nunca tiraria sozinha. Esse é um dos canais que eu quero, até antes de morrer, ter visto absolutamente todos os vídeos. O meu vídeo favorito, divisor de águas, que me ajudou a ter uma perspectiva completamente diferente da minha própria pessoa e estrutura psíquica foi o vídeo "Eu sou uma orquídea". Esse vídeo ♡ Também gosto muito de um que se chama "rotina". Outra coisa que faz a Jout Jout ser muito especial é o fato de ela ser empática com todo mundo, principalmente com as minorias, além do fato de que nos faz sentir amigos íntimos de anos. 

Luca Martini
Este homem tem uma sede por almas que eu nunca vi em toda a minha vida. O Luca é, definitivamente, minha inspiração de seguimento de Jesus. Tudo o que o Luca fala, assim como é com a Beta, parece ter brotado de uma profunda amizade com Jesus no secreto, e cai certinho no meu coração, no tempo certo. Ele é missionário e vive de providência, não tem um lugar fixo pra morar. Ele fala inglês e conta muito sobre a realidade da vida cristã na Europa. Eu amooo vídeos dele pregando dentro de festivais, dentro de "lugares mundanos". Ele é autêntico e extremamente inteligente. Assim como o Tavião, todos, absolutamente todos os vídeos dele são excelentes. 

Então é isso por hoje! 
Espero que tenha gostado de me conhecer um pouquinho mais... 
Beijoquinhas, 
Ab 

sábado, 25 de novembro de 2017

Ame. E se doer ame mais.

Me sinto péssima. Isso, porque em amar, continuo a ser amadora. E sinto que não posso mais. Por mais que sempre me esforce, meu coração continua chorando. Ele termina partido. Prioridades, amargas questões de honra e justiça. Frustração. Horas perdidas em reais entregas que não significam nada para o outro. Eu e a minha mania de ser provedora. Por que ninguém enxerga através das minhas janelas fechadas? De novo, volto aquele ponto que estive por tanto tempo. É uma espiral, cada vez mais profunda... mas sempre volto ao mesmo ponto. Pelo menos não existem mais as migalhas. Ainda assim, duvido de mim mesma quando estou sozinha e deixo que toda faisca de luz me ofusque. E ouso dizer que o faço por amor. Julgo as únicas pessoas que me amam como realmente sou, as que estão dentro de casa. Sou egoísta e infantil. Eu nem sei o que é amor. O pior é todo o respaldo teórico: a culpa proveniente da minha posição depressiva, a competição entre meu verdadeiro e meu falso self todo o tempo. Todas as vezes que penso estar em conexão com alguém, é uma mentira. É só mais uma pessoa se afogando nas próprias soluções, caminhando há quilômetros de distância de mim. É só mais uma pessoa que não está interessada em ficar, em caminhar comigo. A pé. Lentamente. Sei que Jesus caminha ao meu lado, mas me sinto distante dele. Sei também que ele me vê chorar. Mas não consigo procurar o seu abraço. Eu não consigo tocá-lo. Ele é real e concreto, mas sinto falta de seu corpo físico. Eu realmente não entendo. As situações se repetem em looping e eu não enxergo nada. Eu me esforço, mas não enxergo. Eu não entendo nada. O que eu sei é que eu não posso mais... nada mais de outros Francis, outras Amandas, outras Maris, outros Joões... chega.....


"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" Jo 3, 16
Não é justo dizer que não sei o que é o amor. Não é justo desistir de mim mesma quando ele não desistiu. E não é justo também ser impaciente com Deus. As pessoas não me oferecem suas mentiras... é apenas a verdade delas. Elas ainda não tocaram o amor. Eu demorei sete anos para tocá-lo... mas ele me esperou... o coração... é difícil chegar lá. Ele tem me mudado. Ele tem cuidado de mim. Ser cristã é olhar pra Jesus quando o humano grita alto. Não é ser egoísta. É entregar toda a dor, porque as pessoas são diferentes em dons, mas iguais em dignidade. Minhas pérolas são de Deus, preciso que ele as use como desejar. Preciso sofrer as dores do parto e as demoras de Deus. Tudo bem.... porque eu sou dele e ele tem prazer em mim. Eu sei que ele vai cuidar de mim.... Mesmo sem entender... eu quero te amar, e só te amar. 

sábado, 9 de setembro de 2017

Escolher

"As vezes precisamos abandonar a vida que havíamos planejado porque ja não somos mais a pessoa que fez aqueles planos"

Esse é outro daqueles textos em que me despojo do meu lado mais interessante e assumo minha mediocridade. Outra vez sinto que não tenho nada que valha a pena ser compartilhado, mas ainda assim continuo a escrever porque preciso jogar o sentimento fora. Mais do mesmo. Escolhas que não sei fazer, aquilo que não posso ter. Eu sinto que tenho tudo, mas não tenho nada. Quando foi que eu cresci? Quando foi que a minha casca se tornou apertada demais para abrigar minha alma? É surreal o que uma zona de conforto envolvida no status, poder e aceitação podem fazer. Quem sou eu no meio disso tudo? O que há de bom em mim? Qual a minha verdade, no meio de todas as ideologias que aprendi a identificar e desmontar tão agilmente? Quero sair e respirar novos ares, mas tenho medo de ser passageiro. Tenho medo de me perder, de me machucar. Mas onde estou não me sinto encontrada. Continuo sendo Ipê. E, além do mundo, devo enfrentar a mim mesma diariamente - isso é o que mais me preocupa. Quem sou eu? O que ainda deve ser presente, o que deve ficar no passado? Tenho tudo e não tenho nada. E não sei quem sou. Os sonhos vem em conta gotas, por permissão. Sinto que não estou enxergando algo. Qual ponta não amarrei? As situações se repetem... preciso renunciar, mas sou covarde.
Sou um E.T.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Acho que ouvi falar...

Todo ano, desde que eu tinha uns 12 anos, minha mãe constrói um projeto com os alunos da turma dela a respeito dos ipês. O projeto consiste em acompanhar, através de observações cotidianas (casa, escolha, espaços de lazer, etc) e registros (fotos, desenhos, relatos orais), o florescer gradual dos ipês. Esse tipo de árvore, que agora substituiu o pau-brasil como símbolo do nosso país, tem um comportamento peculiar: a cor de suas pétalas determina o periodo do ano em que florescerão. Algumas cores florescem uma vez ao ano, outras duas. Mas a gente florece o tempo todo. A proposta da minha mãe, além do trabalho com meio ambiente, é vivenciar com as crianças que cada ser tem seu tempo, suas cores e potencialidades, sua maneira de ser (alto ou baixo, por exemplo). No mês de agosto, os Ipês que florescem, são os amarelos.
Pronta para fotografar, fomos caçando as árvores pela cidade dentro do nosso carro. É sempre um prazer e uma surpresa estar envolvida com projeto. Durante nossa busca, trilhando o percurso sem muita direção, me peguei pensando o quanto é engraçado como os ipês se fazem ver quando floridos. Existem um milhão deles, em lugares que cruzamos o tempo todo. Mas parece que, quando não estão floridos, são invisiveis. Interessante os ipês.
"Ainda que falassem a língua dos homens, que falassem a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria" I Cor 13, 1. Nessa semana, Deus tem ministrado no meu coração a respeito da escuta, e eu tenho me sentido um ipê florido por dentro, ao tempo que pelado por fora. A minha futura profissão tem muito a ver com escuta. Quem não escuta não sabe responder. E eu tenho o péssimo costume de responder antes de ouvir. A fala do outro é um jogo de significado singular, muito complexo. O outro é um mundo, e a fala do outro é a janela por qual vemos esse mundo - e, portanto, carrega toda a existência dele. Quem fala, quer ser acolhido e devolvido em compreensão, não respondido.
Desde que me decidi ser inteira, me deparei com o silêncio da escuta. Esse silêncio me pareceu interessante de início, mas logo passou a ser duro. Eu pude, verdadeiramente, me debruçar sobre a questão do fazer psicologia: "a finalidade do psicólogo é a escuta". Por muito tempo, eu não entendi o que isso queria dizer, pois, se não havia resposta, para mim não havia escuta. Que surpresa a minha ao perceber que o jogo era o inverso! Quando há resposta fácil, é necessário duvidar da escuta. Quem escuta o outro, precisa se despojar de si, e isso não é fácil. Por isso que psicólogos estudam. Não é simplesmente ouvir cotidianamente, e uma forma arbitrária. A escuta psicológica é uma escuta clínica, com intenções e profunda entrega ao outro. Não se faz o tempo inteiro.
Sempre haverá o que não saberemos ouvir.
Sempre haverá o que precisaremos aprender.
O silêncio, como meio desse despojar-se, provoca. Como é difícil perceber que o outro é um ipê florido e nem sempre me chama atenção.
Quem caminha pelo silêncio, antes de ser capaz de ouvir o outro, escuta a si mesmo. Como é estranho ouvir a si mesmo e perceber-se com tantas flores... mas pelado aos olhos dos outros...!
Vejo a minha frente um longo caminho a percorrer - caminho esse sem fim aparente. Aprender a arte da escuta é mais que mergulhar no florescer do outro. É mergulhar e acompanhar-se no próprio florecer. E que enxergue quem quiser parar pra apreciar, fotografar, pra ver...

(e poucos o fazem... costumamos chamá-los de amigos).

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O beijo do dementador

Quando eu li Harry Potter e o prisioneiro de Askaban pela primeira vez, a cena do beijo do dementador no trem foi muito marcante. Mas que aterrorizada e assustada, ela me fez sentir medo. Medo de verdade, como poucos livros na minha adolescencia me fizeram sentir. Abre parentesis. Palmas para a monstruosa habilidade de J.K. Rowling de transcrever o mundo bruxo para o papel, que convenhamos, é bem parecido com o mundo trouxa... somos trouxas mesmo, por não enxergar o que está bem na nossa frente. Fecha parentesis. Ao reler o livro algumas semanas atrás, senti o mesmo durante a leitura da cena, mas com um olhar de maturidade. Apesar de não ser exatamente expert em enxergar, consegui canalizar bem os meus sentimentos. Quando criança, eu achava que tinha medo dos dementadores porque eles eram monstros pretos horríveis que lembravam fantasmas. Daqueles que a gente fica com medo de vir puxar o pé de noite. Mas, na real, eu tinha mesmo era medo da apatia. Eu tinha medo de saber que, em algum lugar, havia um bicho que roubava de mim minhas memórias felizes e deixava tudo frio e vazio... que deixava tudo oco. Semanas atrás, quando as palavras pairavam pelo ar, eu entendi que dementadores são reais. Podem não existir como monstros feios que a gente enxerga e fica longe, mas existem dentro e fora de nós, de formas abstratas que muitas vezes deixamos passar.
Minha quartaquinta-feira durou 48 horas. Eram umas duas da tarde quando recebi uma mensagem da Mari, dizendo que sua mãe tinha falecido. Senti o coração apertar, a garganta fechar, a voz sumir. Que merda. 12 anos de luta esfumaçados em uma manhã de quarta-feira. Ser amiga da Mari me trouxe muito crescimento e muitas lições. Uma delas foi a empatia. Quando a conheci, minha avó era viva e saudável, e eu subestimava a dor da morte. E então minha avó foi embora e eu pude acompanhar as lutas da família da Mari bem de perto. A morte da minha avó ajudou a entender um pouquinho da sua dor. Que merda.
Passar uma madrugada inteira em um sofá de velório me fez tocar meus dementadores. As horas se arrastavam numa lentidão impressionante - os minutos pareciam uma goteira sem fim: ritimados, constantes, pesados.. enxendo um balde que terminaria entornando em um momento ou outro. E, foi quando a Mari se sentou bem no sofa da minha frente onde o namorado estava deitado, com os dedos finos e brancos quebrando pedaços de chocolate e levando a boca, que uma coisa queimou profundamente em mim. O remedio para o beijo do dementador era doce...
Caminhar dói e é amargo. Mas é doce quando percebemos que não estamos parados, fingindo que nada esta acontecendo, que não sentimos, que não somos humanos.... mesmo amargo, é doce.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Deixe-mo nos amar..!

Começar esse texto está sendo um desafio. Sinto que meu ritmo de pensamento veio desacelerando consideravelmente nos últimos dias devido a nova forma que estou me permitindo viver. Mas, ainda assim, com a pressão da adaptacao a rotina batendo a minha porta sem muito tato, vez ou outra me pego surtando e refazendo mentalmente a listas de atividades do dia, hora a hora.
Tipo agora.
Mudar é dificil.
E mais difícil ainda é escolher olhar para dentro de si mesmo todos os dias, lembrando a decisão de não se render aos comandos da sua zona de conforto.
Sinto como se minha vida realmente tivesse recomeçado, não sei. Como se um ciclo muito grande tivesse se fechado. E é diferente das outras vezes (e não em intensidade, ou como se todas as outras tivessem sido iguais). Acho que o é diferente dessa vez se trata de razão, não de sentimentis. Eu escolhi de verdade sair da minha mediocridade. Além disso, também é diferente porque decidi que seria na pratica, agir de modo a não deixar que os insights permaneçam apenas na minha cabeça, e sejam tomados por minhas inseguranças internas (TOMA PORRADA LOGO, NÃO EMPACA NÃO! Ainda há muito pra viver). Talvez toda essa vibe passe daqui uns dias, uma semana, um mês.
Mas hoje não.
Hoje eu decidi.
Essa semana, conversei com muita gente  que cruzou o meu caminho. Como na aula de teatro, em um exercício de visualização bem primitivo, apenas deixei que a minha sensibilidade discernisse para mim - e não me entenda mal: sensibilidade, não sentimentalismo. Me surpreendi de tal forma com o meu eu natural... o mal não era a minha tendência, ele só cobria o que era bom, pois havia medo... e ao despojar se do medo, encontrei me em outro mundo.. há realmente um outro mundo por baixo do mundo que a gente cria.. um mundo que a gente ESCOLHE não ver, não sentir, não tocar, não querer... outros mundos...
Jesus, ao sentar com os apóstolos e partir o pão em sua última ceia, dava-se a nós por inteiro. Inclusive a Judas. E dava-se porque contemplava o pai e o sentido da vida... estar em comunhão. Visitar o mundo do outro, morar nele. Esta semana eu descobri que viver por inteiro não é só difícil porque demanda esforço interior de cultivar virtudes e equilibrar vícios. Viver por inteiro é difícil porque não se trata do que eu quero dar ao outro, mas sobre o que o OUTRO precisa receber de mim. É necessario ouvir o outro ANTES de qualquer movimento de feedback - e esse outro fala de TANTAS formas.
Pedro, ao ouvir que seu mestre lavaria seus pés, teve em um primeiro momento, um sentimento de indignidade. Como sou Pedro! Será que depois de tanto tempo andando com Jesus eu não conseguia entender? Deus era tudo porque se fazia nada. Para elevar, ele descia. Pedro precisava descer ao mundo do outro para eleva-lo, e o outro precisava descer ao seu mundo para eleva-lo. Ao lavar os pés de Pedro, Jesus o lembrou que havia sido o primeiro. E sempre o amaria primeiro.
Jon Snow, ao ser privilegiado por receber treinamento no castelo, não entendia que precisava descer aos outros para que se elevassem juntos. Tudo o que fazia era se apegar a ferida de sua própria história, que o seguia como sombra e usar como escudo. Lucio Malfoy, escondia se em sua própria alienação de controle, satisfação e poder, tão tão vazia, ao não enxergar o mundo de Dobby.
As pessoas que cruzei me demandaram muito despreendimento e verdade. E os sentimentos se moviam, muitas vezes confusos e não nomeados, e era dificil me manter firme percebendo o quanto eu estava sendo lapidada me envolvendo nas situações. A dor do parto é necessária para que haja vida. Quando damos tudo, precisamos que Jesus lave nossos pés e nos reabasteça. Precisamos de Jesus eucaristico, de Jesus nos irmãos.

Recapitulando em passagens...
1) "Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos" Mt 26, 20
2) "Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo" Jo 13, 8
3) "Filhinhos meus, por quem de novo sinto dores de parto, até que Cristo seja formado em vós" Gl 4, 19

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Sobre didática

Quando penso na palavra didática, o que vem a minha cabeça é a maneira como o profissional da educação enxerga seus alunos e faz com que seu conteúdo seja acessivel para eles. É a forma com que se movimenta dentro do ambiente e contexto em que está inserido no sentido de propiciar o melhor aproveitamento da turma. Na minha concepção, tem muito mais a ver com a ação sobre a subjetividade de cada aluno exercida de maneira conjunta do que com a aplicação de um conjunto de técnicas pronto como padronizador Isso não significa que não possam haver tecnicas que auxiliem o profissional, mas sim que a construção de conhecimento é algo flexível, pois vem da relação docente e discentes. Ao meu ver, um professor didático não precisa ser querido, mas eficaz, apesar de poder ser ambos. Como exemplo carrego os dois professores que mais influenciaram minha vida escolar: a professora de português, que fisgava minha atenção e contemplação com suas discussões e histórias reflexivas e o professor de matemática, que, apesar de rígido, era claro, objetivo e incentivador.
O que mais me chamou a atenção em aula foi a questão da relação da didática com o metodo/metodologia. Um professor didático, segundo entendi, deveria possuir como referência um método específico, que se identifica e se baseia (vejo metodo como sua linha de pensamento) e, a partir dele, constrói sua metodologia (aplicação prática da teoria seguida). Além disso, também fui aguçada com a questão biológica do cérebro que a professora colocou. Apesar de concordar que nossos cérebros possuem constituintes biológicos semelhantes, penso que cada ser humano desenvolve habilidades singulares, de acordo com sua interação, interesse e, principalmente necessidade. Concordo plenamente quando Libaneo propõe que a essencia do problema é a necessidade. Uma pessoa surda, por exemplo, por necessidade de se comunicar, mobiliza recursos biologicos diferentes de uma pessoa ouvinte, em prol de suprir sua necessidade - e isso faz com que o professor de uma turma cujo um dos alunos é surdo movimente e aprofunde sua ação e metodologia, ou seja, sua didática. Outro ponto que me chamou a atenção foi a questão da responsabilidade que o professor possui perante aos alunos. É sempre desejável que o professor alcance todos os alunos, mas, quando um aluno não atinge os resultados esperados, é apenas responsabilidade do professor? Atingir os resultados esperados ou não significa que o aluno não caminhou  (e por isso o professor não foi bem sucedido?). A questão é mais complexa do que parece, ao meu ver.
O que eu mais achei interessante durante a discussão foi a percepção que a conscientização da dialética - tese, antítese, síntese - deve rondar o profissional da educação. Ao meu ver, a educação está pautada na maneira como o docente se  relaciona e se aprofunda com a espiral. Quanto mais os desdobramentos de seu giro é percebido, mais apurada é sua didática.

domingo, 6 de agosto de 2017

Eu não quero me esquecer

Abrir o blog depois de tanto tempo foi uma decisão dificil. O que os olhos não veem, o coração não sente, não é mesmo? Sim. Não. O coração sente, mas a gente empurra pra baixo do tapete e recalca a coisa toda. Nossa, nesse último semestre me senti tudo, menos a Ana Beatriz. Sabe, a Ana Beatriz humana que eu costumava ser. A que ia caminhando para a faculdade, observando todos os detalhes simples. A que se encantava com histórias de desconhecidos no ônibus, a que sonhava e refletia sobre situações diversas de olhos bem abertos. A palavra que me vem é qualidade. Meus momentos já não tem qualidade como tinham antes. E antes nem tinham muito - ainda assim, eram mais frequentes. Sinto como se eu tivesse sido sugada de mim mesma aos pouquinhos, por um eu que não tinha consciencia de estar ali. As vezes, a gente quer tanto alcançar alguns objetivos que não compreende a beleza da jornada - e acaba se tornando tudo o que disse que não seria. Depois de quase um ano sem ter férias, pensei que três semanas de solidão e listas seriam tudo o que eu precisava. Me empenhei em planejar meus dias, seguir tudo a risca... Pra que? Não fiz uma coisa nem outra. Não me permiti descansar, fazer nada. E ao mesmo tempo, não me empenhei de verdade em algo que eu gostasse. Me sentia culpada por não querer fazer as atividades que havia planejado - por que eu não ia querer? eram ótimos hobbies! É que eu demorei pra entender que minhas próprias regras estavam me destruindo, fazendo com que eu me estagnasse. A rotina de acordar e necessariamente escrever no meu diário não estava me agregando como eu gostaria, meu terço e orações não eram mais autenticos. Por que? Quando o viver se torna apenas um item a ser riscado de uma lista, deixa de ser viver e passa a ser existir - basicamente desperdício de tempo e esforço.
Quando entrei de férias, eu tinha certeza que o que eu precisava era estar sozinha, que os outros é que não me deixavam descansar, curtir o belo. Mas estava enganada. Todo mundo que assiste Na Natureza Selvagem adora aquela frase "A felicidade deve ser compartilhada". Nunca foi uma das minhas partes preferidas, mas de repente ela parecia fazer todo o sentido.
Foi em uma das minhas últimas tardes que a Amanda me ligou e me chamou pra almoçar. Eu raramente tenho vontade de interagir com as pessoas, mas acabo fazendo isso por toda a carga social. Mas sei lá, a companhia dela me fez um bem muito grande. Um bem que eu já não sentia com outras pessoas, porque há tempos não enxergava outra pessoa além de mim mesma. Aparentemente, era tudo sobre mim. Eu não convivia - não estava mais disposta -, não abaixava, não aprendia, não me entregava. A simplicidade de uma amizade verdadeira, de repente me deu aquele insight de que talvez eu não estivesse vivendo a vida como eu gostaria. Na verdade, talvez eu não estivesse vivendo. Talvez só estivesse perdendo os meus dias... as listas acabavam por me prender e me controlar ao invés de me libertar e conduzir...
Engraçado que comigo, rola uma espécie de delay. As coisas acontecem, depois eu ligo os pontos. Apesar da Amanda ter sido o apse, cada pessoa que se fez presente na minha vida de alguma forma nessas três semanas me despertou para essa realidade. O pessoal do ensino médio, o ministério ruah, o pessoal do Js, do cursinho (e mesmo os amigos da psico, sem rolê), a minha própria familia.
Ainda nas minhas férias de quatro dias, assim que me livrei da necessidade de estar sempre sobre pressão por parte de mim mesma, refleti que toda a questão envolvendo qualidade estava o tempo todo me rondando (desde a minha infância) e eu tentava constantemente me convencer de que a falta dela estava relacionada aos milhares de compromissos que eu impunha para mim mesma. O ponto que eu nunca tinha chego antes - ou talvez apenas não queria admitir que havia chego - era que, na verdade, fazer tantas coisas me dava uma justificativa perfeita para conviver com meus próprios fracassos e escolhas. "Tirei nota vermelha porque eu não tive tempo para estudar", "Não falei com a fulana porque estava fazendo meu trabalho da faculdade", "Não tenho tempo para sentir ou pensar sobre esse sentimento agora porque estou ocupada demais lendo este livro". Nesse último semestre, passei tanto tempo no facebook que poderia apresenta-lo como AACC. E usar o facebook (e muitas outras coisas que faço) como fuga NÃO RETIRA DE MIM O QUE PRECISO ENFRENTAR! APENAS PRORROGA!
Ainda dói, e tudo bem.
É preciso deixar doer... é preciso se comprometer e acolher a dor... é preciso caminhar.
Com isso nao quero dizer que preciso parar de me envolver com causas e grupos, pois, mais do que nunca, sei que preciso de pessoas. Só que é necessario que haja decisão de enfrentamento da minha parte, é necessário que eu aprofunde relações ao invés de partir para as próximas, é necessário que eu escolha ficar antes de querer que alguém escolha por mim. É preciso coragem para ouvir o próprio secreto, tão detonado, tão sujo, tão.. tantas coisas. Minhas feridas, meus medos, meus fracassos... eu não quero ser um porco espinho que espeta os iguais.. ou uma tartaruga que entra dentro da propria concha e fica lá... eu quero mais.. e quero mais no simples...
Por fim, a questão do foco. De todas as minhas atividades, qual era a mais importante para mim? O que eu queria com cada uma delas? Não se trata de deixar de fazer algo, mas de ser constante com uma habilidade em especial. Eu nunca fui boa com escolhas, nunca mesmo. Mas o que era ESSENCIAL? O que estava em mim como algo NECESSÁRIO, quando eu era menor? Escrever. Sempre foi escrever. Diários nasceram de necessidade. Pandora nasceu de necessidade. E o impulsionador do problema é a necessidade. A música, o kumon, os estudos, meu servir... todas as coisas que me compõe PRECISAM vir da necessidade. Se eu precisava tanto escrever, por que eu parei? Porque o medo de não fazer bem foi maior que a necessidade de escrever. Então COMO voltar a escrever? Fazendo todos os dias, SABENDO que fracassarei, SABENDO que haverão dias em que não conseguirei sair de uma simples frase... e tudo bem. Só é necessário não parar. Eu PRECISO PRECISAR de novo da escrita. Eu PRECISO entender o esforço. Não importa quanto tempo demore, apenas continue buscando o precisar. Ao buscar o precisar, o resultado será apenas um detalhe.
Há alguns anos, se alguém contasse para a Ana Beatriz do passado o que ela teria hoje, ela provavelmente se espantaria - mesmo que talvez não ficasse surpresa. Ela conquistou muito - mesmo carregando junto dela a famigerada síndrome do impostor. Mas o que me preocula hoje, nesse momento, é: o que a Ana Beatriz do passado teria achado do que a Ana Beatriz de hoje é?
Sei a resposta e não gosto.
Trabalharei duro para mudá-la.
Desejo que a vida seja leve.

Recapitulando em passagens...
1) "Para tudo há um momento e um tempo debaixo do céu" Ecle 3,1.
2) "Seja forte e corajoso!" Js 1, 9
3) "Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E QUANDO ELES IAM ANDANDO, ficaram curados" Lc 17, 14

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Uma notinha bonitinha de amor: o dia em que me apaixonei por você

Eu nem me lembrava mais desse texto. Estou apaixonada por ele! Estou apaixonada por me lembrar da sensação exata que foi me descobrir apaixonada conscientemente por alguém, pela primeira vez! (Por agora, a nota mental de que chega de se apaixonar. E ainda! Nada de melhores amigos). 

17/06/2016
Quando o Joao terminou comigo e foi embora, eu nunca achei que construiria uma relação tão profunda com alguém novamente. Eu estava certa de que nunca mais conheceria uma pessoa como ele, que pudesse me fazer ver o mundo de uma forma nova ou me cuidasse com tanto carinho e amor. Me senti triste, desolada e sozinha, com um buraco enorme no peito, uma doente de amor incurável. Então escolhi entrar debaixo das cobertas e do chuveiro pra chorar, me trancar no banal, sofrer e remoer, por um loongo tempo. Vieram momentos de raiva, de ignorância, e por fim, perdão. Dois anos depois, assim que dei por finalizada a etapa da superação, me vi buscando em outras pessoas o que devia buscar em mim mesma. A nova etapa a que me propus foi a de autoconhecimento, com seus contrários, paradoxos, complicações. A primeira vista, um caminho esquisito, sinuoso, complexo, difícil.... porém, aos poucos, muitas vezes até mesmo após tempestades fortes, flores e cheiros que me invadiam de um modo peculiar e único, me envolvendo de amor e crescimento pessoal. E então, em uma reunião costumeira de amigos, me aconteceu algo que nunca (nunca, nunca, nunca) havia me acontecido antes. Nem mesmo com o Joao. Eu me dei conta, me vi consciente e entregue, a algo que há tempos já acontecia ali dentro de mim - e eu estava ocupada demais para notar. Ao olhar bem no fundo dos olhos de um certo alguém, eu me vi despida das máscaras sociais, das preocupações, dos meus medos, das minhas faltas..... eu me vi. Sem mãos suadas ou borboletas no estômago, sem indecisão ou racionalidade, sem motivo, sem neuras... sem nada. Minha alma estava nua. Ele me via além.
Eu soube.
Estava apaixonada.
Mais.
Um garoto do acaso, que sempre esteve lá. Amigo dos amigos. Só tinha se achegado, sem motivo especial, sem interesse. Alguém manso, intenso, risonho, livre.... violão, voz, filmes. Um profundidade pura e nata da nossa amizade. tumtum. Os olhos dele sorriam para mim, os momentos passavam em câmera lenta na minha cabeça... mais.. mais... quando? como? serio? por que ele? MAIS! tumtum. Quem diria?
Se seria recíproco posteriormente, não conto. Não importa. O que importa mesmo é que Joao não era único no mundo porque tinha nascido assim pra mim... como a Rosa do pequeno príncipe, Joao foi único no mundo - no MEU mundo - pelo tempo que eu lhe havia dedicado, durante anos, por inteiro. Ele continuava único existindo na nossa história, a história que escrevemos juntos, que faz parte de nós... sempre continuaria(á). O interessante foi a maneira que a vida achou de me mostrar que a unicidade do Joao não era única. O jeito de amar do Joao não era único. A maneira como Joao vivia não era única. Talvez não fosse possível conhecer alguém como o Joao porque as pessoas são únicas... umas, desejo que sejam únicas no meu mundo.
Esse alguém, na sua essência, era tudo, menos Joao.
Mesmo assim, foi nesse olhar que eu me perdi.
"Isso é que é boa música eletrônica, Ana" ele diz. Eu sorrio, boba, e desvio o olhar para pegar um copo de refrigerante.
Ajo estranhamente a noite toda.

Ninguém nota nada. 

O Espírito Natalino e essas coisas..

Por muitos anos eu tentei me convencer de que o natal era um dia feliz e especial. Ainda assim, mesmo quando eu era pequena, com toda aquela comida extremamente convidativa que a minha avó preparava e todos aqueles presentes debaixo da árvore, tão numerosos e coloridos, bem lá no fundo, tudo o que eu conseguia sentir era um grande vazio. Ele era constante em sua inconstância, específico da data, como as luzes de decoração... liga, desliga, liga, desliga... mas sempre lá. Ano após ano durante essa época, as pessoas que me cercavam, de repente, ficavam envoltas pelo misterioso Espirito de Natal. Mas não eu. Por quê?  
Eu era cristã. Queria que Jesus nascesse na minha família e no meu coração novamente. O ano estava no fim, era quase reveillon - vida nova, metas novas, dias zerados. Eu tinha um bom repertório de filmes natalinos. (De qualidade duvidosa? Talvez, mas ainda natalinos). Rudolf, a rena de nariz vermelho. Os fantasmas de Scrooge, Meu papai não é noel. Mais recentemente, A felicidade não se compra.
Então por quê?
Há alguns natais, em uma das brechas de luz do meu vazio existencial, eu entendi que o único sentimento que talvez me fosse concedido que lembrasse o Espirito de Natal fosse aquele alívio de fim de dia, quando eu agradecia a Deus pela minha família, amigos e pela comida maravilhosa que eu teria por uma semana inteira. É, só isso mesmo. Não precisava ter um porquê. Talvez eu pudesse só acolher as sensações e odiar o natal.









Dia 23/12/2016, na mesa de jantar. Pai, mãe, eu. Uma briga de casal algumas horas antes.  Promessas que nunca seriam cumpridas da parte dela, palavras mais pontudas que punhal da parte dele. Meu silêncio valendo minha vida.
"Eu entendi sua dor durante ANOS!" dizia ela, ferida. "Você não pode entender a minha por alguns meses?! Qual o seu problema em passar o natal com a minha família?!"
Rosto vermelho, irritado. 
"Eu odeio o natal" Tum-Tum.  Liga, desliga. Tum-Tum. "Quatro dias antes... ele morreu". 





Uma lembrança antiga. 







Pai, eu também odeio o natal. 






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Não esse ano. 
Eu não quero mais sofrer as dores dos outros. 
Eu posso estar lá - e vou. 
Apenas isso. 
Um mês de comunhão diária. 

Eu finalmente sinto o Espírito Natalino.