Apesar de seu trono ser simples, era também majestoso.
Logo que o avistou, o rei o rotulou: súdito. Poucas pessoas tem essa ousadia, de olhar honestamente para seu próprio julgamento feito do outro e assumi-lo de frente. Personalidade.
Ao confrontar tal julgamento, o Pequeno Príncipe entende algo: o Rei sabia quem era.
Não existe identidade construída no vácuo, não existe eu sem o nós, não existe um Rei sem súditos. Reinar é um dever, um estilo de vida, um compromisso. Tudo isso se direciona ao outro, ao exterior. Um Rei tem poder e responsabilidade sobre o outro. Então como ser coerente e bom com seus súditos, sem deixar de ser Rei?
Quando se aceita que o controle não existe, ou se bate de frente com sua soberania ou se aprende a jogar no time dele (Dark trás essa mesma conclusão a respeito do tempo). O Rei escolhe a segunda opção, pois conhece muito bem a perdição da primeira. Mas é engraçado a maneira com que assume isso para si: controlando, sem controlar. Se você precisa bocejar, então a ordem é que boceje. Se não precisa mais bocejar, então a ordem é que não boceje. Seria sabedoria de Rei? Ou medo, ilusão?
Será que a personalidade do Rei, apresentada desde o início do capítulo, entrega?
"Sobre o que você reina?" perguntou o Príncipe. "Sobre tudo", respondeu o Rei. Aceitar que não temos o controle é reinar. Sobre mim, ja que o planeta que pode parecer minúsculo aos olhos dos outros, mas eu ainda não consegui dar a volta completa. Sobre os outros, compreendendo que é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar - muitas vezes, precisaremos esperar algumas horas para ver um por-do-sol.
O Pequeno Príncipe se aborrece, fica sem paciência, diz ao Rei que não tem mais nada para fazer ali. Recusa a oferta de se tornar ministro da justiça. A quem julgaria?
A quem mais seria se não a si mesmo? "É o mais difícil. É bem mais difícil
julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio".
Gosto da resposta intensa, juvenil e autêntica do Pequeno Príncipe: não preciso permanecer em um planeta específico de alguém (ou mesmo até no meu planeta) para lapidar meu julgamento interior.
O capítulo termina de uma maneira surpreendente. O Principezinho quer ir embora, pede para que o Rei lhe ordene ir, mas o Rei permanece em silêncio.
"As pessoas grandes são muito esquisitas, pensava, durante a viagem, o Principezinho".
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