O mais doido é que no texto que eu tinha escrito, eu falava sobre esse tipo de situação.
Quando Jesus falou no meu coração que 2020 seria meu ano sabático, eu não pensei que seria nessas proporções. Não era só uma moção individual, afinal.
No começo, eu me perguntei muito sobre como uma borboleta poderia aprender a voar em um espaço fechado. Aos pouquinhos, fui entendendo que voar não era sobre bater asas, mas sobre essência. Antes do fazer, o ser. Antes do ativismo, intimidade. Ele tinha tirado o que não era essencial (mesmo aquilo que parecia), para me convidar a escolher a melhor parte. A última etapa do processo de metamorfose era uma jornada interior.
Todo ser humano é único, portanto, tem uma jornada única a traçar. Sempre me comparei muito e tem sido um processo libertador entender que tenho meu tempo para trilhar meu caminho, já que ele é só meu e não importa em que lugar eu estou em relação ao outro. Mas Jesus foi me explicando que só posso dar um passo de cada vez. Enquanto não dou um passo, não posso partir para o próximo. E que o passo tem que ser dado por mim. E entender isso foi entender também que há suas desvantagens em ser o gerenciador do próprio tempo.
Quando tive depressão, foi a primeira vez que eu entrei em contato com um sentimento profundo de dor e tristeza. Na época, não sabia nomear o que sentia, o que dificultava bastante entender e tornava tudo mais intenso pela carga do desconhecido. Então, por medo de não dar conta, a escolha que eu fiz foi fugir daquele lugar. Ao fugir da dor e da tristeza, eu também acabei fugindo dos outros sentimentos, me fechando no casulo, me afastando da minha humanidade. Só que, como descobri posteriormente, fugir não era uma escolha. Só estava adiando o inadiável. Para continuar trilhando meu caminho, o proximo passo precisava ser dado, que era enfrentar aquele lugar. Então, decidir fugir foi decidir parar.
Não demorou para eu perceber que estava parada (pelo menos não de uma forma intuitiva, depois tive que ralar pra racionalizar), mas demorou para cair a ficha do que tinha me feito parar. Porque na minha cabeça eu tinha fugido com sucesso daquele lugar de dor e tristeza, estava em um novo lugar. A verdade era que o lugar era o mesmo, so estava anestesiada. Comecei, então, uma busca desesperada pelo passo que faltava. Pela peça que faltava. Só que era uma busca vã, porque o que eu precisava era justamente era aquilo de que eu negava!
Jesus, com seu imenso amor, me perguntava: o que queres que eu faça? E eu sentia raiva, porque era obvio! Eu queria andar! Ele nao me ajudava a andar! Mas o passo tinha que ser meu, e tinhamos todo o tempo do mundo... Ele me dava situações concretas de tristeza, dor, frustração (como essa mesmo de perder o texto), pra me ajudar a reagir, mas eu só sentia mais e mais raiva, escutava as mentiras de Satanás me dizendo que eu não era amada.
Quando me permiti começar a sentir, vi que não ia morrer. Primeiro, achei que tinha voltado ao lugar de que eu fugia, que eu era fraca por estar ali de novo. Mas depois fui entendendo que não eram lugares diferentes... eu sempre tinha estado ali, ferida ou blindada.
Assim como a Riley, de divertidamente, hoje posso enxergar que todos os sentimentos tem funções especificas em mim. Deus é perfeito, ele me criou com mecanismos perfeitos. Eu fugia da tristeza e da dor como expressão, por medo de doer, por não entender elas têm funções. Elas freiam, trazem para dentro, lapidam o diamante bruto, fazem crescer. Como a comida fornece nutrientes, mas é cultura; como o sexo que gera vida mas é prazer; como o brincar que permite a elaboração, mas é existência... os sentimentos tem funções mas são expressão! Tristeza não é um fardo, sem ela algo falta.
"Refresque minha memoria... o que me fez andar? Vejo que ainda há vida em mim, não se pode mais caminhar assim"
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