quarta-feira, 25 de março de 2020

Memórias

Se você se procurasse aqui, aposto que se encontraria. Vira e mexe eu te encontro. Essa é minha sacola de lembranças. Tudo o que eu consigo registrar de especial eu enfio aí. Antes, ela era só uma caixinha profética e linda, decorada uma enorme borboleta azul, que minha mae comprou ao acaso pra mim em um momento triste. Mas ela ficou pequena demais pra minha demanda e eu tive que abrir mão da minha própria promessa. Algumas coisas se tornam obsoletas com o tempo, seja pelo tamanho delas ou por qualquer outro motivo - ate as que achamos que seriam para sempre. Eu gosto de juntar essas bugigangas, porque para mim é como se existisse um segredo entre elas e eu, que ninguém pode me roubar. Talvez você tenha ido embora, ou talvez eu é que tenha ido. Mas ali é como se eu não estivesse sozinha, como se eu pudesse voltar a viver momentos que não são mais reais e que eu gosto de habitar, mesmo sem a sua permissão. Ali eu também entendo realidades que a imaturidade não permitia e fico irritada com os pensamentos distorcidos com que luto diariamente. Eu juro que se eu pudesse, eu te alcançaria. Mas o que te dou é toda a verdade que consigo reunir. Quem sabe um dia o amor me monte, ao invés de me raxar e eu não precise viver de meras lembranças felizes (que as vezes até penso que inventei). 

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