quarta-feira, 25 de março de 2020
A metamorfose
Esse é mais um texto reflexivo meu bem aleatório. Talvez um pouco mais aleatorio que outros que vc já leu, por ter alguns dados temporais irrelevantes, hm. Há quatro dias eu recebi meu primeiro salário real oficial - eu já tinha ganhado uns trocos por aí, mas nunca tive um salário. Mesmo não sendo muito, eu queria gastar com algo legal, que me fizesse lembrar direito desse momento. Eu não sabia o que fazer com ele, mas eu gastei um tempão pensando, risos. Eu acho que esse é um dos meus maiores problemas, eu penso muito sabe? Depois de muito pensar, decidi que queria comprar um presente (presentes, por acaso, é minha linguagem do amor n 1, mesmo que na opinião de um montão de gente seja a linguagem do amor mais chata), mas não sabia o que e nem pra quem dar. Minha última paixonite durou seis meses. Ela fez aniversário de uns meses alguns dias antes de mim. Como de costume, o meu tipinho é bem aquele cheio das leituras e interesses acadêmicos/filosóficos/politicos. Fazia um tempo também que eu queria ler Kafka, tinha a impressão que ia curtir muito, sempre me deparava com o interesse de "a metamorfose" pairando nos meus pensamentos, mas não conseguia achar uma oportunidade de ler. Foi assim que a ideia surgiu: meu primeiro salário seria gasto com um livro legal, para uma pessoa legal - ainda que eu precisasse entregar o livro em completo segredo e dar meus pulos para que chegasse em mãos. Então segui o plano, e gastei o dindin. Capa dura e tudo, com todo meu amor. Deixei na minha escrivaninha. Mas a data escolhida para a entrega estava looonge e, todo dia que eu acordava, eu via o livro lá, tão lindo... até que.. "talvez se eu ler esse livro, a pessoa nem note, eu poderia simplesmente dar depois de ler primeiro". E assim foi, eu fui lendo, de pouquinho, o presente, pressionada pelo dia da entrega chegando. Esses dias, porem, foram um choque de realidade. Coisas que há muito tempo estavam guardadas emergiram e me desestruturaram profundamente. A leitura foi contribuindo para esse processo e eu fui entendendo que o livro não era nada do que eu tinha imaginado. Ao terminá-lo hoje, com um desconforto imenso e uma vontade muito grande de chorar, tive um insight. Um insight que já tive antes, mas que de repente pareceu dividir minha vida em antes e depois: o ideal é lindo, mas está só na minha cabeça. Então eu me desapaixonei e me desapeguei dele. Eu mandei pra longe a ilusão que criei. Eu quero a humanidade, mais do que nunca quis. Eu não sou um inseto afinal, e não pretendo mais me tornar um.
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