A visita do Pequeno Principe ao terceiro planeta foi curta, mas nem por isso menos impactante. Em pouco tempo, já estava mergulhado na dinâmica melancólica de seu morador, um bêbado. Bêbados estão sempre entorpecidos, tentando amortecer algum sentimento. A imagem que me vem à cabeça é uma capa fina e transparente entre seus sentimentos e sua razão, que ao mesmo tempo que protege, também priva. É só experimentando o desconforto que há espaço para o bem-estar. Não dá pra selecionar esse ou aquele sentimento, ou vem tudo ou não vem nenhum.
O Pequeno Príncipe não deduz nada a partir do que vê, mas escolha perguntar para entender antes de deduzir. As perguntas que faz trazem a tona uma coleção de garrafas, algumas cheias e outras vazias. A impressão que eu tenho é que o bêbado bebe suas histórias e coleciona suas memórias. Tanto as que já viveu, simbolizadas pelas garrafas vazias, quanto as que ainda estão por vir.
Se bebe para esquecer. E esquecer justamente que se bebe. É um ciclo. O que é que o bêbado quer beber de verdade? No lugar de que a bebida está?
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