hoje eu me fecho para todas as relações que eu um dia quis ter.
desde que saí da igreja, eu escolhi viver de peito aberto.
sempre tive essa questão forte com auto proteção, estive me protegendo do mundo. ainda que houvesse alguma espontaneidade em mim, eu sempre me protegi. a igreja me dava esse lugar de proteção.
aí eu resolvi que deveria viver o que eu não tinha vivido. que eu tinha esse direito.
agora, só consigo olhar pra mim como um punhado de cacos de vidro. todas aquelas partes que um dia foram minhas personalidades, que eram grudadas meio que por durex, simplesmente se esparramaram.
não acho que vão voltar a se unir.
não sou uma pessoa, não existo.
estarei habitando esse planeta com meu corpo oco, um casulo de borboleta abandonado, sobrevivendo até que chegue o momento que o casulo se decomponha.
aguardo esse momento esperançosamente.
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