terça-feira, 14 de julho de 2020

Desafio 3


Bom, eu sou extremamente artística. A arte pra mim chega a ser quase uma neurose. Acho isso bem interessante porque muita gente olha pra arte de uma maneira romantizada e idealista. Não que ela não seja mesmo uma sublimação maravilhosa, mas pra mim é mais patológica mesmo. Sou artemaníaca: todo dia, eu produzo. E nem sempre me alivia e me trás paz, às vezes só piora mesmo. Mas tenho trabalhado nisso. Arduamente. Não sei muito explicar meus processos, porque pra mim é como dirigir, meio que automático. Mas vou tentar. 

A arte que mais tenho domínio é a de compor, eu acho. Eu componho com muita facilidade. Eu sento, começo a tocar violão, e surge a base de uma melodia. Daí, a partir da melodia, eu vou encaixando uns versos. Existem várias estruturas de uma música, que já fazem parte do meu repertório, então acesso uma delas que sinto ser mais interessante. Quando componho, normalmente eu me preocupo com coerência, escolho um tema e vou escrevendo em cima dele. Ah, uma coisa bem importante é que eu vou gravando as partes. Se escolho a estrutura A1BCA2, em que A = estrofe; B = pré-refrão; C = refrão, eu faço primeiro uma parte (pode ser qualquer uma, a que surgir primeiro) e gravo no gravador do celular e depois sigo fazendo igual com as outras partes. No final eu junto todas as partes com um aplicativo e aprendo a música toda, pra gravar direitinho. Faço esse lance do gravador porque me ajuda a não esquecer o que compus - a minha inspiração vai embora mais rápido do que chega e eu odeio muito perder ela de vista. 

Também gosto de poesia, e ela se diferencia da música porque é mais viceral. Não penso muito quando vou escrever, não precisa ser tão coerente como uma música é pra mim. Ela normalmente começa com uma palavra que me chama atenção pelo som ou pela forma, ou por um objeto/situação/imagem do cotidiano que me alcançou de alguma forma. Adoro rimar e adoro perceber o ritmo da poesia. Acho que ela capta mais meu inconsciente. Depois que eu identifiquei o ponto inicial e gerador do poema (essa palavra/objeto/situação/imagem), eu vou associando livremente e escrevendo muitas outras palavras que me vem à cabeça. Então vou encaixando em frases. Muitas vezes procuro rimas no google, e eu amo essa parte do processo porque sempre conheço palavras novas. Tenho dificuldade em perceber quando um poema termina, e mania de sempre repetir uma estrofe do começo mais pro final. Acho que tenho uma estrutura bem minha de poesia, diferente da música (no sentido de organização escrita), porque por mais que conheça várias maneiras de organizar, sempre recorro ao mesmo tipo de organização. Curto muito aliteração, minhas poesias sempre são marcadas por essa figura de linguagem. Vez ou outra uso assonância. 

Tenho gravado vários vídeos também, mas não sou exatamente boa neles. Tenho a questão da estética ainda muito forte (não ligo nadinha pra ela, mesmo sabendo que é importante pro mundo). Isso porque quando eu assisto vídeo no youtube eu quase nunca presto atenção no visual, mas procuro por bons conteúdos. Meu conteúdo é pro tipo de pessoa que eu sou, acho. Apesar de curtir cinema, acho meio chato toda a questão das imagens, fotografias e tals. Curto mesmo é a história. 
Meus vídeos são bastante intencionais. Eles servem pra me fazer elaborar as coisas que eu não dou conta de elaborar escrevendo (tanto aqui no blog quanto em um diário). Quase não edito ou corto, porque meu ponto forte é a intimidade: gosto de tudo muito cru, muito amador. Sempre gostei, desde quando eu era criança e andava por ai filmando tudo com a câmera do meu celularzinho ruim. Me gravo muito tocando violão e cantando, tanto músicas autorais quanto covers, e acho que quanto mais espontâneo, com erros e leveza, melhor. Também gravo partilhas da minha espiritualidade e, atualmente, percepções acerca de Steven Universe, minha série preferida de todos os tempos. Fiz uma playlist sobre escrita, planejo começar em breve uma sobre psicologia. Estou animada. Não tenho muitos melindres pra gravar não, se não eu não gravo. Não ajeito a luz ou coloco a câmera em um pedestal, só apoio no meu ursinho mesmo. Agora eu tenho uns cenários: o meu preferido é um que fica na frente da minha parede de livros e eu gravo sentada no meu skate velho. As séries normalmente tem roteiro, mas é um roteiro em tópicos. E eu gravo por partes. Já os vídeos de partilha e espiritualidade não tem roteiro não, eu só saio falando. 
Depois que termino de gravar, se eu preciso juntar algumas partes, uso um app no celular (que ele literalmente só junta as partes, não faço mais nenhum tipo de edição). Então é só compartilhar no youtube. Tenho 2 canais, um de covers com meu nome (meu antigo, que eu sigo os outros canais mais ativamente) e o novo, Zoe, que eu uso pra vlogs e questões mais pessoais. 
O lema desse tipo de arte pra mim é "antes feito que perfeito". Me ajuda muito a perder a vergonha. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário